Chega de tanta ingratidão!
Que se danem os canalhas.
Que se danem os invejosos.
Que se danem os mentirosos.
Que se dane o mundo.
Que se dane você.
Não quero mais amor.
Não quero mais o seu amor.
Não preciso tê-lo mais.
Aliás, nem quero.
Chega de estar rodeado
de falsos-amigos e fofoqueiros de plantão!
Que se danem as verdades.
Que se danem os poetas.
Que se danem as gostosas do samba.
Que se dane a natureza.
Que se dane o meu futuro.
Que se dane a minha nação.
Nada mais me interessa.
Porque eu só quero
que o mundo inteiro se dane...
sábado, 23 de outubro de 2010
Sob os pilares do Paraíso
Sob os pilares do Paraíso
repousam sete anjos.
Eles são amigos, risonhos e tranquilos.
Têm a paz no olhar
e a meiguice na fala.
Vestem um manto abençoado
por Nosso Senhor Jesus Cristo
e cantam melodias que apaziguam
o sono de nós meros mortais.
Sob os pilares do Paraíso
se escondem sete anjos,
cujas mãos frutificam os campos
e depuram as águas mais imundas.
Sete anjos me protegem
e regem a minha vida.
repousam sete anjos.
Eles são amigos, risonhos e tranquilos.
Têm a paz no olhar
e a meiguice na fala.
Vestem um manto abençoado
por Nosso Senhor Jesus Cristo
e cantam melodias que apaziguam
o sono de nós meros mortais.
Sob os pilares do Paraíso
se escondem sete anjos,
cujas mãos frutificam os campos
e depuram as águas mais imundas.
Sete anjos me protegem
e regem a minha vida.
Casamento
Quando eu era menino
mamãe tinha o sonho de me ver casado.
Eu também tinha esse sonho.
Sempre quis me casar com uma mulher
de seios fartos, ancas largas e de sorriso ofuscante.
Hoje em dia, estou casado,
como eu e mamãe sonhamos.
Me casei com uma mulher
de seios discretos, quase sem ancas e de sorriso horripilante. Cruz credo!
Mas me casei.
mamãe tinha o sonho de me ver casado.
Eu também tinha esse sonho.
Sempre quis me casar com uma mulher
de seios fartos, ancas largas e de sorriso ofuscante.
Hoje em dia, estou casado,
como eu e mamãe sonhamos.
Me casei com uma mulher
de seios discretos, quase sem ancas e de sorriso horripilante. Cruz credo!
Mas me casei.
O encontro
Quando eu matar
meu sonho, minha imaginação,
meus ideais, minha consciência,
tudo o que resta em mim
de fé e razão,
talvez,
possa me encontrar...
meu sonho, minha imaginação,
meus ideais, minha consciência,
tudo o que resta em mim
de fé e razão,
talvez,
possa me encontrar...
Evocação
Vejo o luar banhar o seio moreno,
que no breu da noite
entre esmerados sussurros
evoca o meu nome.
Infelizmente, não sou capaz de resistir.
que no breu da noite
entre esmerados sussurros
evoca o meu nome.
Infelizmente, não sou capaz de resistir.
Dois poeminhas da estrela
(I)
Vejo no céu
uma estrela brilhar
parecida com o véu
da viúva do ar
(II)
Vejo no céu
uma estreja triste
destilando fel
por tudo o que existe
Vejo no céu
uma estrela brilhar
parecida com o véu
da viúva do ar
(II)
Vejo no céu
uma estreja triste
destilando fel
por tudo o que existe
Poema do vivo-morto
Noênio levantou-se e caminhou com as pernas tortinhas para a cidade. Lá ele
sambou com as mulatas
fofocou com às senhoras gordas
bagunçou com os antigos colegas
berrou que estava triste
cantou a mulher do delegado
quebrou a vidraça da farmácia
E depois retornou, exausto, para dentro do caixão
sambou com as mulatas
fofocou com às senhoras gordas
bagunçou com os antigos colegas
berrou que estava triste
cantou a mulher do delegado
quebrou a vidraça da farmácia
E depois retornou, exausto, para dentro do caixão
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Balada da Karol e da Bomba Atômica
I
Karol, floresceriam
os mais lindos lírios
nos merencórios solos de
Hiroshima e Nagasaki.
Desde que você os pisasse
com esses seus pés,
miúdos e delicados.
E os tocasse
com essas suas mãos,
macias e afáveis.
Floresceriam centenas de milhares de lírios
sobre Hiroshima e Nagasaki,
se você viesse caminhando,
com esses passos suaves
que só você, minha amiga, tem.
E que todos
tentam e tentarão,
perpetuamente, macaquear.
Porém, jamais conseguirão.
Seus passos suaves
são à sua marca
de elegância e candura.
E sua beleza, com certeza,
seria capaz de dissipar
dos rostos imersos em lágrimas
todas as impertinentes dores sentidas.
Quando a BOMBA ATÔMICA
descia do céu, feliz e ardilosa,
se, por acaso, lhe avistasse
quedaria ali mesmo no ar, atônita.
E não ousaria fazer
mal a ninguém.
Se ela lhe visse,
cara a cara,
encantar-se-ia toda.
Pois, a pobre coitada, decerto,
jamais vira uma pessoa com
esses cabelos negros e luzentes,
esses olhos úmidos,
esse sorriso desbravador das mais
celeradas criaturas
e essa pele trigueira.
Se à dona Bomba
(chamo-a de dona
para sermos mais íntimos)
não fosse uma dona impiedosa,
vocês poderiam
sair para se divertir.
E você, Karol, ensiná-la-ia
uma lição muito valiosa:
como comportar-se
humanamente.
E à dona BOMBA,
obedecer-lhe-ia
sem pensar em lhe questionar.
II
Tenho muita pena
de todas as crianças,
mulheres, homens,
idosos e deficientes
que morreram por causa
da dona Bomba.
Perderam as vidas
num piscar de olhos.
E os seus descendentes
também foram,
infelizmente, castigados.
Oh, dona Bomba,
onde você estiver
será que você
não se arrepende
de ter matado
e continuar matando
tanta gente inocente?
Será que não sentes
peso na consciência
por arrancar tantas
vidas benévolas?
III
Mas, minha amiga, Karol,
não se chateie
com a maldade
da dona Bomba.
Ela é uma mulher
amargurada
feia
infeliz
taciturna
resfriada
gananciosa
balofa
zombeteira
não querida
não bem vista
não amada.
A coitada faz
o que faz
sem nem ao menos
saber o porquê.
Contudo, se você,
minha amiga,
aparecesse, agora,
lá em Hiroshima e Nagasaki
floresceriam os lírios
mais amigos e meigos.
E todas as tristezas,
todos os choros,
todas as inolvidáveis mortes
poderiam ser
de uma vez por todas,
como num passe de mágica
ou num simples estalar de dedos,
esquecidos...
Karol, floresceriam
os mais lindos lírios
nos merencórios solos de
Hiroshima e Nagasaki.
Desde que você os pisasse
com esses seus pés,
miúdos e delicados.
E os tocasse
com essas suas mãos,
macias e afáveis.
Floresceriam centenas de milhares de lírios
sobre Hiroshima e Nagasaki,
se você viesse caminhando,
com esses passos suaves
que só você, minha amiga, tem.
E que todos
tentam e tentarão,
perpetuamente, macaquear.
Porém, jamais conseguirão.
Seus passos suaves
são à sua marca
de elegância e candura.
E sua beleza, com certeza,
seria capaz de dissipar
dos rostos imersos em lágrimas
todas as impertinentes dores sentidas.
Quando a BOMBA ATÔMICA
descia do céu, feliz e ardilosa,
se, por acaso, lhe avistasse
quedaria ali mesmo no ar, atônita.
E não ousaria fazer
mal a ninguém.
Se ela lhe visse,
cara a cara,
encantar-se-ia toda.
Pois, a pobre coitada, decerto,
jamais vira uma pessoa com
esses cabelos negros e luzentes,
esses olhos úmidos,
esse sorriso desbravador das mais
celeradas criaturas
e essa pele trigueira.
Se à dona Bomba
(chamo-a de dona
para sermos mais íntimos)
não fosse uma dona impiedosa,
vocês poderiam
sair para se divertir.
E você, Karol, ensiná-la-ia
uma lição muito valiosa:
como comportar-se
humanamente.
E à dona BOMBA,
obedecer-lhe-ia
sem pensar em lhe questionar.
II
Tenho muita pena
de todas as crianças,
mulheres, homens,
idosos e deficientes
que morreram por causa
da dona Bomba.
Perderam as vidas
num piscar de olhos.
E os seus descendentes
também foram,
infelizmente, castigados.
Oh, dona Bomba,
onde você estiver
será que você
não se arrepende
de ter matado
e continuar matando
tanta gente inocente?
Será que não sentes
peso na consciência
por arrancar tantas
vidas benévolas?
III
Mas, minha amiga, Karol,
não se chateie
com a maldade
da dona Bomba.
Ela é uma mulher
amargurada
feia
infeliz
taciturna
resfriada
gananciosa
balofa
zombeteira
não querida
não bem vista
não amada.
A coitada faz
o que faz
sem nem ao menos
saber o porquê.
Contudo, se você,
minha amiga,
aparecesse, agora,
lá em Hiroshima e Nagasaki
floresceriam os lírios
mais amigos e meigos.
E todas as tristezas,
todos os choros,
todas as inolvidáveis mortes
poderiam ser
de uma vez por todas,
como num passe de mágica
ou num simples estalar de dedos,
esquecidos...
Sr. Borba
TRECHO
II
Se olhasses toda quarta-feira
de manhã, às 08:00 horas,
verias uma linda menina negra
de oito aninhos de idade
brincando na praça que fica
na frente de vosso edifício.
E se soubesses que essa menina,
perdeu a mãe aos três anos
vitima de um brutal assassinado,
decerto, não ligarias.
Será que sabes que a vossa secretária
está internada com tuberculose
e está prestes a morrer? E que ela
contraiu a doença por morar
numa favela, cujo ar
não circula como deveria?
Sr. Borba, se fosses mais humano
ouvirias o sofrimento alheio
e farias o necessário para calá-lo.
Não obstante, não és.
Sr. Borba, o mundo é grande.
Sei que o conheces como a palma
da vossa mão, pois fizestes inúmeras viagens.
Mas o mundo, sr. Borba, vai muito além
dos ostentosos restaurantes, das macias camas
e das confortáveis limusines que desfrutastes.
O mundo não se resume somente a isso.
Enquanto, dormes em camas macias
há gente dormindo no chão frio,
usando uma folha de jornal para mascarar o vento gélido da madrugada,
Enquanto, comes em ostentosos restaurantes
há gente revirando os mais imundos lixos,
para tentar encontrar uma mísera fatia de pão
Enquanto, andas em confortáveis limusines
há gente andando a pé milhas e milhas em busca de uma vida melhor.
Como vês, o mundo é grande.
II
Se olhasses toda quarta-feira
de manhã, às 08:00 horas,
verias uma linda menina negra
de oito aninhos de idade
brincando na praça que fica
na frente de vosso edifício.
E se soubesses que essa menina,
perdeu a mãe aos três anos
vitima de um brutal assassinado,
decerto, não ligarias.
Será que sabes que a vossa secretária
está internada com tuberculose
e está prestes a morrer? E que ela
contraiu a doença por morar
numa favela, cujo ar
não circula como deveria?
Sr. Borba, se fosses mais humano
ouvirias o sofrimento alheio
e farias o necessário para calá-lo.
Não obstante, não és.
Sr. Borba, o mundo é grande.
Sei que o conheces como a palma
da vossa mão, pois fizestes inúmeras viagens.
Mas o mundo, sr. Borba, vai muito além
dos ostentosos restaurantes, das macias camas
e das confortáveis limusines que desfrutastes.
O mundo não se resume somente a isso.
Enquanto, dormes em camas macias
há gente dormindo no chão frio,
usando uma folha de jornal para mascarar o vento gélido da madrugada,
Enquanto, comes em ostentosos restaurantes
há gente revirando os mais imundos lixos,
para tentar encontrar uma mísera fatia de pão
Enquanto, andas em confortáveis limusines
há gente andando a pé milhas e milhas em busca de uma vida melhor.
Como vês, o mundo é grande.
A falta de Laíse Neves
Às vezes, me pego, meio atordoado,
olhando para os cantos.
Olho, olho, e não lhe vejo.
Meus olhos se enchem
de lágrimas
que querem deslizar
pela minha face.
Mas eu valentemente
as seguro, e impesso que elas se divirtam
Olho, olho, olho, a porta
que se abre, muitas e muitas vezes,
mas não lhe vejo entrar.
Espero, espero, espero,
você reaparecer,
sorrindo ou chorando,
mas você não vem...
E, no fundo, eu sei
que você nunca mais
voltará...
olhando para os cantos.
Olho, olho, e não lhe vejo.
Meus olhos se enchem
de lágrimas
que querem deslizar
pela minha face.
Mas eu valentemente
as seguro, e impesso que elas se divirtam
Olho, olho, olho, a porta
que se abre, muitas e muitas vezes,
mas não lhe vejo entrar.
Espero, espero, espero,
você reaparecer,
sorrindo ou chorando,
mas você não vem...
E, no fundo, eu sei
que você nunca mais
voltará...
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Emilinha Borba, canta!
"Quem parte leva
saudades de alguém, que fica chorando de dor..."
Ó, Emilinha, canta, canta mais...
Alegra este povo.
Canta, como cantaste,
no apogeu de teu sucesso.
Canta, para sanar as dores,
para dar vida as flores,
para encher nossa vida
de mais amores!
Ó, Emilinha, guia este
povo sorumbático para a luz,
com o ritmado som de tua voz,
alegra os cantores tristes,
ilumina a cabeça dos maus letristas,
desenha no horizonte um si bemol,
um dó, um fá, um mi, um sol, um lá
e um astronômico ré para nos dar fé!
Canta,
canta, canta,
canta, canta, canta,
canta, canta, canta, canta,
canta. canta, canta, canta, canta,
pois, assim, a tristeza
você espanta.
saudades de alguém, que fica chorando de dor..."
Ó, Emilinha, canta, canta mais...
Alegra este povo.
Canta, como cantaste,
no apogeu de teu sucesso.
Canta, para sanar as dores,
para dar vida as flores,
para encher nossa vida
de mais amores!
Ó, Emilinha, guia este
povo sorumbático para a luz,
com o ritmado som de tua voz,
alegra os cantores tristes,
ilumina a cabeça dos maus letristas,
desenha no horizonte um si bemol,
um dó, um fá, um mi, um sol, um lá
e um astronômico ré para nos dar fé!
Canta,
canta, canta,
canta, canta, canta,
canta, canta, canta, canta,
canta. canta, canta, canta, canta,
pois, assim, a tristeza
você espanta.
No meio da avenida, porém renovado
No meio da avenida tinha um pombo-correio
tinha um pombo-correio no meio da avenida
tinha um pombo-correio
no meio da avenida.
Quando me aproximei do pombo-correio,
apanhei o bilhete que estava próximo ao seu corpo.
No bilhete tinha uma mensagem
tinha uma mensagem no bilhete
no bilhete
tinha uma mensagem.
Mas eu não li a mensagem.
Eu não li
a mensagem.
Eu
não
li
a
mensagem.
Simplesmente, porque eu não sei ler.
tinha um pombo-correio no meio da avenida
tinha um pombo-correio
no meio da avenida.
Quando me aproximei do pombo-correio,
apanhei o bilhete que estava próximo ao seu corpo.
No bilhete tinha uma mensagem
tinha uma mensagem no bilhete
no bilhete
tinha uma mensagem.
Mas eu não li a mensagem.
Eu não li
a mensagem.
Eu
não
li
a
mensagem.
Simplesmente, porque eu não sei ler.
Novo poema sentimental
O meu medo, o meu medo, Maria
É como um fio telégrafo do subúrbio
Aonde vêm aterrizar pardais...
Às vezes chega um
E defeca
(Não sei porque os pardais não tem educação, mas vá lá!)
Defeca e vai embora
Outro, nem isso,
Mal chega, defeca.
O último que passou
limitou-se a gargalhar
na minha pobre cara!
No entanto, Maria, o meu medo é sempre o mesmo:
Os pardais é que mudam.
É como um fio telégrafo do subúrbio
Aonde vêm aterrizar pardais...
Às vezes chega um
E defeca
(Não sei porque os pardais não tem educação, mas vá lá!)
Defeca e vai embora
Outro, nem isso,
Mal chega, defeca.
O último que passou
limitou-se a gargalhar
na minha pobre cara!
No entanto, Maria, o meu medo é sempre o mesmo:
Os pardais é que mudam.
domingo, 6 de junho de 2010
Aonde vais, Iracema?
Minha linda índia,
dos lábios de mel,
aonde vais tão faceira?
Por que usas esta
minisaia e esta microblusa?
Teus cabelos negrumes
adejam no vento primaveril
e teus lábios ardem como brasa!
Mas, aonde vais com
esta bolsa emperiquitada
e estes anéis e cordões
de ouro 18 quilates?
Não entendo, minha linda índia,
aonde queres ir.
Ora, queres ir ao céu,
pescar as mais belas estrelas,
ora, queres ficar inerte aqui...
Mas, agora, sei aonde vais.
Vais à cidade para
se acabar dançando,
cantando
e namorando.
E, amanhã, hás de repetir a dose...
dos lábios de mel,
aonde vais tão faceira?
Por que usas esta
minisaia e esta microblusa?
Teus cabelos negrumes
adejam no vento primaveril
e teus lábios ardem como brasa!
Mas, aonde vais com
esta bolsa emperiquitada
e estes anéis e cordões
de ouro 18 quilates?
Não entendo, minha linda índia,
aonde queres ir.
Ora, queres ir ao céu,
pescar as mais belas estrelas,
ora, queres ficar inerte aqui...
Mas, agora, sei aonde vais.
Vais à cidade para
se acabar dançando,
cantando
e namorando.
E, amanhã, hás de repetir a dose...
terça-feira, 16 de março de 2010
Os anos passam
- ... mas, pai, por que eu não posso ir?
- Eu já lhe disse.
- Eu sei disso. Mas, quero saber por que eu não posso sair com o meu namorado?
- Porque ele não é namorado para você, minha filhinha.
- E o que o senhor entende de namorado, pai?
- Eu entendo muita coisa!
- Pai, eu amo ele. Ele é o homem da minha vida!
- Você não sabe o que diz...
- Um dia, casarei com ele, o senhor vai ver...
- Ora bolas!
- O senhor não pode impedir o nosso amor. Estamos nos amando de verdade.
- Vocês ainda são muito jovens. Não sabem o que é o amor.
- Nós sabemos, sim, senhor!
- Aquele rapaz não me parece ser um bom moço...
- Só por causa do cabelo dele?
- E você acha pouco? Além do mais, que tipo de homem anda com as calças no joelho, piercing na língua e no nariz, brinco nas orelhas e é tatuado? Para mim ele é um marginal, que quer se aproveitar da filha inocente dos outros.
- O senhor está sendo preconceituoso. O Rick não é nada disso...
- "Rick"? Os pais dele o batizaram assim? Meu Deus...
- Claro que não! Ele se chama Ricardo. Eu o chamo de Rick porque é um apelido carinhoso, pai. O senhor não chama a mãe de um apelido carinhoso também?
- Isso não é da sua conta, menina exerida!
- Pai, o senhor é tão bonzinho comigo. O senhor gosta de me ver feliz, não é?
- Gosto, filhinha...
- Então! Deixa eu sair com o Rick. Eu volto antes da meia-noite. Eu prometo.
- Você está louca? Você só tem 16 anos. E menina de 16 anos não fica na rua até tarde. Perdeu o juízo?
- Eu tenho 21 anos, pai! Não sou mais a sua menininha. Não sou mais aquela que sentava no seu colo, enquanto, o senhor assistia à partida de futebol. Nem sou aquela que dormia sob o som cadenciado da sua voz, quando o senhor lia aquelas fábulas lindas. Eu cresci. Não sou mais aquela menininha.
Fez-se um longo minuto de silêncio entre pai e filha.
- Nem tinha me dado conta do quanto você cresceu.
- Pai, eu estou atrasada agora. Quando eu voltar, juro que lhe dou aquele leitinho quente e as bolachas que o senhor tanta gosta.
A filha deu um beijo estalado na testa do pai, e este sentou-se boquiaberto na cadeira, pensando nos anos que haviam se passado.
- Eu já lhe disse.
- Eu sei disso. Mas, quero saber por que eu não posso sair com o meu namorado?
- Porque ele não é namorado para você, minha filhinha.
- E o que o senhor entende de namorado, pai?
- Eu entendo muita coisa!
- Pai, eu amo ele. Ele é o homem da minha vida!
- Você não sabe o que diz...
- Um dia, casarei com ele, o senhor vai ver...
- Ora bolas!
- O senhor não pode impedir o nosso amor. Estamos nos amando de verdade.
- Vocês ainda são muito jovens. Não sabem o que é o amor.
- Nós sabemos, sim, senhor!
- Aquele rapaz não me parece ser um bom moço...
- Só por causa do cabelo dele?
- E você acha pouco? Além do mais, que tipo de homem anda com as calças no joelho, piercing na língua e no nariz, brinco nas orelhas e é tatuado? Para mim ele é um marginal, que quer se aproveitar da filha inocente dos outros.
- O senhor está sendo preconceituoso. O Rick não é nada disso...
- "Rick"? Os pais dele o batizaram assim? Meu Deus...
- Claro que não! Ele se chama Ricardo. Eu o chamo de Rick porque é um apelido carinhoso, pai. O senhor não chama a mãe de um apelido carinhoso também?
- Isso não é da sua conta, menina exerida!
- Pai, o senhor é tão bonzinho comigo. O senhor gosta de me ver feliz, não é?
- Gosto, filhinha...
- Então! Deixa eu sair com o Rick. Eu volto antes da meia-noite. Eu prometo.
- Você está louca? Você só tem 16 anos. E menina de 16 anos não fica na rua até tarde. Perdeu o juízo?
- Eu tenho 21 anos, pai! Não sou mais a sua menininha. Não sou mais aquela que sentava no seu colo, enquanto, o senhor assistia à partida de futebol. Nem sou aquela que dormia sob o som cadenciado da sua voz, quando o senhor lia aquelas fábulas lindas. Eu cresci. Não sou mais aquela menininha.
Fez-se um longo minuto de silêncio entre pai e filha.
- Nem tinha me dado conta do quanto você cresceu.
- Pai, eu estou atrasada agora. Quando eu voltar, juro que lhe dou aquele leitinho quente e as bolachas que o senhor tanta gosta.
A filha deu um beijo estalado na testa do pai, e este sentou-se boquiaberto na cadeira, pensando nos anos que haviam se passado.
sexta-feira, 5 de março de 2010
O poetinha
Nasceu, ontem,
o nosso poetinha.
Sob o som do trem
que viaja na mata.
Seus olhos negros
causam comoção.
E suas mãos exíguas
decerto tocarão,
através da poesia,
os ermos corações
que andam na agonia
e não conjugam o verbo
que esvoaça no ar
e faz qualquer um se calar...
o nosso poetinha.
Sob o som do trem
que viaja na mata.
Seus olhos negros
causam comoção.
E suas mãos exíguas
decerto tocarão,
através da poesia,
os ermos corações
que andam na agonia
e não conjugam o verbo
que esvoaça no ar
e faz qualquer um se calar...
Por quê?
Por que o mundo é tão grande
e eu não consigo te encontrar?
Por que a sua voz melodiosa
vai se perdendo no ar?
Por que o tlin-tlin dos seus brincos
faz mais barulho que as ondas do mar?
Por que as coisas se entristecem
sempre que você quer chorar?
Por que a sua ausência,
aos poucos, irá me matar?
Por que eu não consigo,
por um minuto, não te amar?
Por que eu te amo tanto
e decidi um poema te dedicar?
e eu não consigo te encontrar?
Por que a sua voz melodiosa
vai se perdendo no ar?
Por que o tlin-tlin dos seus brincos
faz mais barulho que as ondas do mar?
Por que as coisas se entristecem
sempre que você quer chorar?
Por que a sua ausência,
aos poucos, irá me matar?
Por que eu não consigo,
por um minuto, não te amar?
Por que eu te amo tanto
e decidi um poema te dedicar?
A tua boca
A tua boca apaixonada,
doce, delicada,
quente, resfriada,
saborosa, amaciada,
vistosa, requisitada,
chamativa, perfumada,
longa, curta, apequenada,
fina, altiva, alongada,
roxa, ferida, curada,
inocente, provocante, safada,
vil, alegre, triste, despudorada,
amante, amiga, encantada,
louca, faminta, gulosa, alada,
cativante, falsa, desmensurada,
lancinante, inquietante, pertubada,
corajosa, nervosa, angustiada,
mole, perfeita, disputada,
quer beijar a minha boca, ressecada,
implorando para ser eternamente amada!
doce, delicada,
quente, resfriada,
saborosa, amaciada,
vistosa, requisitada,
chamativa, perfumada,
longa, curta, apequenada,
fina, altiva, alongada,
roxa, ferida, curada,
inocente, provocante, safada,
vil, alegre, triste, despudorada,
amante, amiga, encantada,
louca, faminta, gulosa, alada,
cativante, falsa, desmensurada,
lancinante, inquietante, pertubada,
corajosa, nervosa, angustiada,
mole, perfeita, disputada,
quer beijar a minha boca, ressecada,
implorando para ser eternamente amada!
Morreram 12 anjos
Deus abriu um inquérito para averiguar a morte
de 12 dos seus anjos.
Eis a conclusão do inquérito:
O 1° anjo rolou uma escada com 30 degrais e quebrou o pescoço
O 2° anjo tomou uma xícara de café envenado
O 3° brigou com o 13° até a morte, por causa, da 10° anja
O 4° foi atropelado por um carro que invadiu
o dormitório dos anjos. Junto com ele morreu o 11°
O 5° foi brutalmente esfaqueado
O 6° foi arremessado do alto de um prédio,
enquanto olhava à vista
O 7° morreu sufocado assim que dormia
O 8° morreu afogado na banheira
O 9° morreu ao tomar uma pedrada na nuca
A 10° matou-se, logo após, ver o 3°(que era o seu grande amor)
brigar até a morte com o 13°
O 11° morreu junto com o 4°
O 12° suicidou-se
O inquérito declarou como responsável pelas mortes
o 12° anjo. Ele matou os outros anjos para não dividir
a atenção de Deus com eles. O 12° anjo planejou
cada uma das mortes, mas, não aguentou o remorso,
por isso suicidou-se.
de 12 dos seus anjos.
Eis a conclusão do inquérito:
O 1° anjo rolou uma escada com 30 degrais e quebrou o pescoço
O 2° anjo tomou uma xícara de café envenado
O 3° brigou com o 13° até a morte, por causa, da 10° anja
O 4° foi atropelado por um carro que invadiu
o dormitório dos anjos. Junto com ele morreu o 11°
O 5° foi brutalmente esfaqueado
O 6° foi arremessado do alto de um prédio,
enquanto olhava à vista
O 7° morreu sufocado assim que dormia
O 8° morreu afogado na banheira
O 9° morreu ao tomar uma pedrada na nuca
A 10° matou-se, logo após, ver o 3°(que era o seu grande amor)
brigar até a morte com o 13°
O 11° morreu junto com o 4°
O 12° suicidou-se
O inquérito declarou como responsável pelas mortes
o 12° anjo. Ele matou os outros anjos para não dividir
a atenção de Deus com eles. O 12° anjo planejou
cada uma das mortes, mas, não aguentou o remorso,
por isso suicidou-se.
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