I
Karol, floresceriam
os mais lindos lírios
nos merencórios solos de
Hiroshima e Nagasaki.
Desde que você os pisasse
com esses seus pés,
miúdos e delicados.
E os tocasse
com essas suas mãos,
macias e afáveis.
Floresceriam centenas de milhares de lírios
sobre Hiroshima e Nagasaki,
se você viesse caminhando,
com esses passos suaves
que só você, minha amiga, tem.
E que todos
tentam e tentarão,
perpetuamente, macaquear.
Porém, jamais conseguirão.
Seus passos suaves
são à sua marca
de elegância e candura.
E sua beleza, com certeza,
seria capaz de dissipar
dos rostos imersos em lágrimas
todas as impertinentes dores sentidas.
Quando a BOMBA ATÔMICA
descia do céu, feliz e ardilosa,
se, por acaso, lhe avistasse
quedaria ali mesmo no ar, atônita.
E não ousaria fazer
mal a ninguém.
Se ela lhe visse,
cara a cara,
encantar-se-ia toda.
Pois, a pobre coitada, decerto,
jamais vira uma pessoa com
esses cabelos negros e luzentes,
esses olhos úmidos,
esse sorriso desbravador das mais
celeradas criaturas
e essa pele trigueira.
Se à dona Bomba
(chamo-a de dona
para sermos mais íntimos)
não fosse uma dona impiedosa,
vocês poderiam
sair para se divertir.
E você, Karol, ensiná-la-ia
uma lição muito valiosa:
como comportar-se
humanamente.
E à dona BOMBA,
obedecer-lhe-ia
sem pensar em lhe questionar.
II
Tenho muita pena
de todas as crianças,
mulheres, homens,
idosos e deficientes
que morreram por causa
da dona Bomba.
Perderam as vidas
num piscar de olhos.
E os seus descendentes
também foram,
infelizmente, castigados.
Oh, dona Bomba,
onde você estiver
será que você
não se arrepende
de ter matado
e continuar matando
tanta gente inocente?
Será que não sentes
peso na consciência
por arrancar tantas
vidas benévolas?
III
Mas, minha amiga, Karol,
não se chateie
com a maldade
da dona Bomba.
Ela é uma mulher
amargurada
feia
infeliz
taciturna
resfriada
gananciosa
balofa
zombeteira
não querida
não bem vista
não amada.
A coitada faz
o que faz
sem nem ao menos
saber o porquê.
Contudo, se você,
minha amiga,
aparecesse, agora,
lá em Hiroshima e Nagasaki
floresceriam os lírios
mais amigos e meigos.
E todas as tristezas,
todos os choros,
todas as inolvidáveis mortes
poderiam ser
de uma vez por todas,
como num passe de mágica
ou num simples estalar de dedos,
esquecidos...
Que prazer enorme o escrito que você fez pra mim tá aqui no seu blog. Obrigada amigo =)
ResponderExcluirE que aqui possa ser apenas o inicio do seu sucesso porque você merece muito mais.
Ainda vou comprar um livro seu \ô/
beiiijoooos